Predadores existem.
Como reconhecê-los?
Como se proteger deles?
Como evitar sua energia pesada sobre nós?

Sim, aqui estão as três grandes instruções. As que precisamos ter diante de qualquer predador.
O conto do Barba Azul, mesmo após milhares de anos, chega a nós com tanta presença e, com respostas precisas a respeito das necessidades humanas quanto à ingenuidade e desconhecimento da força do mal.

Segundo Clarissa Pinkola Estés, compreender o predador significa tornar-se um animal maduro, e pouco vulnerável à ingenuidade….!”
A pergunta que fica é:
Até quando a ingenuidade nos acompanhará?
Podemos nos manter sentados convivendo com relacionamentos abusivos?
Semanalmente somos informados de mortes, torturas, abuso sexual e/ou moral, por meio de jornais, rede social, entre outros. Há uma clara intenção em banalizar, ou tornar trivial relações anormais em normais.

Essa é a nossa pergunta: – Como o Barba Azul se apresentaria em nossos dias?

Observando nosso contexto, percebemos como informações cruéis são transmitidas, sendo hiper valorizadas pelo excesso de repetições.
É cruelmente irracional e bem claro o serviço do Barba Azul, circulando tais informações sobre as relações desumanas de nossos dias.

De uma certa forma podemos relembrar as antigas arenas medievais, onde um povo era conduzido a ver seres humanos sendo destroçados. Assim acontecia cruelmente e de forma crescente a destruição da sensibilidade nos seres  humanos. As pessoas no início ficam amedrontados e perplexos, mas logo e sem perceberem, permanecem numa inocência paralisante, desconsiderando a crueldade. As mentes ficam embotadas. A notícia passa a ser algo tão comum às famílias brasileiras, que todos ouvem, vêem tais notícias comendo pipoca. Coincidência ou não, há uma conspiração predatória que levanta no coração do povo todo semana, todos os dias. E hoje com a evolução tecnológica, essa questão tão antiga e pulsante, torna-se tão presente, mas não tão aviltante. As mentes se tornam vulneráveis a uma espécie de aprendizado sobre a impotência de fazer algo tão forte ou até mais, diante de tamanhas aberrações. Mas o que contemplamos é uma ambivalência paralisante. Quando os instintos mais básicos da sobrevivência são feridos, os homens trivializam as agressões, uma após a outra. Assim atos injustos e destrutivos crescem nas mídias dia a dia, hora a hora, minuto a minuto. Sua Barba Azul se espalha com enorme velocidade. Quem pode acompanhar tudo isso? Somos todos informados à exaustão. É o que o dizia Pavlov, o pai na psicologia do comportamento condicionado: A trivialização de um comportamento aprendido, passa a ter vida própria, é que ele denominou de “aprendizado da impotência”. Há indícios de que é algo prejudicial, mas a exposição aos maus-tratos ferindo a natureza instintiva, deixam as pessoas desorientadas e sem defesa quanto suas vidas culturais, psíquicas ou de outra natureza. Em termos psíquicos,  nos acostumamos aos golpes dirigidos ao que se tem de mais valioso, a vida!

Assim, sem um posicionamento, sem tomar a dianteira, o predador cresce e domina. Sem o reconhecimento, não há como se proteger. Pelo excesso de exposição às imagens e informações, o mal é explícito e aceito sem nenhuma represália à altura. O que deveria ser uma ação natural, como fazer uma denúncia, nada acontece, o perpetrador sagaz permanece.

No conto, o sedutor e majestoso Barba Azul faz juras de amor, mas em pouco tempo acaba tudo. Às cega a jovem esposa, desprovidas de inteligência, ingênua, aceita viver na ilusão. É forçada a conviver num castelo que guarda um quarto com cenas repugnantes, cadáveres, corpos empilhados, mortes de muitas mulheres. No conto a jovem ingênua, está apaixonada, mas considera seu perpetrador uma pessoa digna, mesmo reconhecendo algumas excentricidades. Todos o repugnava sua barba tão azul, mas ela dizia a si mesma: mas de um certo ângulo, ela não é tão azul! Ao se casar, passa a conviver uma relação tão abusiva, cruel e de morte.
A exuberância da juventude, se envolve com o Barba, homem experiente, que ao perceber tanto frescor pueril, se vê totalmente envolvido também. Mas podemos não animar, por trás de tudo isso havia um plano. Ela totalmente ingênua, na sua forma mais elementar, acaba atendendo ao chamado inconsciente de todas as mulheres assassinadas até aquele momento. Essa ingenuidade é tomada à serviço de ALGO maior.
O Barba Azul revela a todos, o arquétipo antiquíssimo do predador que atinge sem dó ambos os sexos. Estrategicamente, a jovem exalando ingenuidade torna-se presa fácil. Sem ouvir o conhecimento dos mais velhos, perde sua própria sagacidade pelo apego a sua insana ingenuidade. Não há sabedoria sem entendimento. Entretanto, o plano do mal acaba no momento em que o quarto da morte se abre. Não se pode negar o que se viu. Uma vez visto tantas mulheres assassinadas, o Barba Azul é desmascarado e seu fim está anunciado. A ingenuidade chora, se despede e passa a ter novos olhos, agora astutos e sábios. Pede-lhe quinze minutos para se preparar para a morte, mas na verdade era para se defender da morte. Assim, não mais ingênua ou como aprendiz, se torna madura e reconhece a existência do predador que morava com ela. Aprendeu a se proteger. Agora ela sabe como. Sem tais conhecimentos, compreendeu com tantas mulheres serão devoradas. Algumas ainda continuam incapazes de se mover com segurança dentro de suas próprias florestas.
Solução, bastam 15 minutos para o segundo tempo, e o Barba azul sai de cena.
A grande lição de vida é reconhecer o que é como é antes de qualquer coisa, e assim aprender a priorizar o que é importante acima de qualquer entretenimento em si.

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